Livro tem memória e é delicioso


Quem estiver a fim de uma leitura digna de viagens mentais tem um prato cheio com "As Memórias do Livro", um delicioso romance sobre o manuscrito de Sarajevo, de Geraldine Brooks, vencedora do Pulitzer de Ficção de 2006. Partindo de fatos reais, Geraldine escreve uma ficção de primeira categoria e cativa o leitor com um texto irresistível, seja por sua narrativa, seja por seu caráter de documento histórico, seja por suas revelações. De amor, ódio, traição e afeto. Mescla de realidade e ficção, a trama começa numa madrugada de 1996, quando a conservadora de livros australiana, Hanna Heath, recebe um convite das Nações Unidas para restaurar a lendária Hagadá de Sarajevo. Este manuscrito judeu medieval, repleto de iluminuras, que contrariava as restrições judaicas da época em relação às ilustrações, havia desaparecido durante a Guerra Civil e acabara de ser reencontrado na capital da Bósnia. Este é o ponto de partida de uma história que começa no ano de 1480 em Sevilha, passando por diversas localidades até chegar ao seu destino atual, Sarajevo. Neste período o documento judeu do século XV sobreviveu a momentos históricos como a Inquisição Espanhola, o nazismo, a Guerra Civil e ainda assim continuou intacto para ser exibido ao público no Museu Nacional.
Geraldine Brooks nasceu em Sydney, Austrália. Trabalhou como repórter e em 1982 ganhou uma bolsa para o programa de mestrado em jornalismo da Columbia University, Estado Unidos. Não deixou mais o país e logo começou a trabalhar para o The Wall Street Journal, onde cobriu conflitos e crises no Oriente Médio, na África e nos Bálcãs.

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