Formação sim... com diploma no fim

Hoje o dia ficará marcado na história da comunicação no Brasil. Os ministros do Supremo Tribunal Federal (os que estavam presentes) decidiram, quase por unanimidade, que não será mais exigido o diploma universitário para a atividade de Jornalista. Caberá às empresas decidirem quais os critérios para contratar seus profissionais. Mesmo sem a exigência do diploma em si, cabe pensar que empresário nenhum vai contratar alguém que não tenha a formação necessária pra desenvolver as atividades complexas do mundo da comunicação, da informação e da notícia.
As redações não têm tempo nem estrutura para, na velocidade da modernidade líquida, ensinar profissionais de outros campos o que é um lide. O que é uma retranca, uma suite. Como se faz reportagem e os critérios de uma entrevista que busca a objetividade... ou seja, a formação será, definitivamente, mais importante que o diploma, mas os cursos universitários só darão este, com a comprovação daquela... e é isso que tem que ficar mais sólido agora!!! O outro ponto é a organização da categoria. Atividade sempre difícil para sindicatos e afins.... Nova fase!

7 comentários:

leda disse...

Meu santo querido chefe.
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Concordo que a técnica sobre o jornalismo é primordial para exercer a profissão. As empresas podem preferir profissionais graduados. Mas a não-obrigatoriedade dá margem para que pessoas "influentes" encontram espaço nas redações, e uma formiga venenosa pode incomodar um elefante. O que me deixa receosa e triste é pensar que um advogado ou historiador, artista.. Que outro profissional faça cursinho qualquer e chegue para desenvolver o papel de comunicador social. Ou a pessoa é jornalista ou é outra coisa. Nossa profissão parece incompatível com outra, e sonho de alguém de ter seu "artigo" publicado é vaidade incompatível com necessidade pública. Agora esse sonho está mais perto para as elites. A ética e entendimento sobre o que e de que forma será veiculado não se aprende em cursos técnicos. O jornalismo é mais que isso. Ainda estou confusa e com medo. Acho que tais juízes também não se deram conta do que fizeram. A informação não é sal ou farinha. E imagina eu trabalhar ao lado de um outro que não entende nada disso? Ia eu aprender o que?
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abraço.
Leda.
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lidi ;) disse...

Querido professor,

Confesso que em um primeiro momento eu me assustei com essa decisão e com o futuro daquela que almejo ser a minha profissão. Não consigo compreender como podem aceitar que qualquer pessoa possa exercer uma função de tamanha responsabilidade frente a sociedade. É fato que escrever bem é uma habilidade de inúmeras pessoas independende da formação profissional que tenham. Mas falar com responsabilidade, ética e verdade, defendendo os interesses do jornalismo e o compromisso com a sociedade, isso realmente não é tarefa para "qualquer" um. Sobre a contratação de pessoas não graduadas para atuarem como jornalistas, é preciso levar em consideração que muitos empresários de veículos de comunicação visam muito mais o lucro do que a responsabilidade que as suas posições sociais deveriam exigir. Realmente espero que eles deem preferencia a qualidade da informação do que apenas ao lado financeiro, pagando menos aos seus profissionais. Isso me confunde. Acredito que em um primeiro momento muitas empresas continuarão a contratar jornalistas por causa dessa realção tempo/ensinamento. Mas e quando o tempo passar e os veículos tiverem esse tempo que hoje não tem? Por outro lado, prefiro acreditar na idéia de que realizarão contratações e se arrependerão de tal atitude, e então, num futuro não tão distante, voltem a valorizar o profissional do jornalismo. Quanto a organização da categoria, mesmo que sejamos comunicadores e sociáveis, percebo que a união pela causa não foi abraçada da forma como deveria ter acontecido.

Abraço

Raquel disse...

Professor!

Assustei-me bastante com essa decisão. Frustrei-me, também. Para mim, é uma questão tão óbvia que não deveria nem ter sido discutida. É claro que precisamos do diploma. Espero que venham a se arrepender dessa decisão (que, ao meu ver, é meramente comercial e visando interesses das grandes corporações).
De qualquer maneira, é uma desvalorização e um desrespeito em relação àqueles que dedicam-se ao estudo procurando uma chance melhor no mercado de trabalho. Perderemos o lugar para alguém que simplesmente saiba "escrever bem"? Não sei. Acho que não. A diferença entre alguém que nunca pisou numa faculdade de jornalismo e alguém formado é gritante. Como disseste, a formação será mais importante que o diploma. Só que uma coisa leva à outra.

Abraço!

Juliane Soska disse...

to adorando!!! quero ver o circo pegar fogo!

vai pikachu

Ariela Dedigo disse...

Como disse o Marcos "nova fase". Pensemos p/ frente. Quem sabe possamos um dia chegar - pelo menos próximos - a modelos adotados em veículos de comunicação da Europa, por exemplo, onde jornalismo muitas vezes é exigido como pós-graduação. Parte de jornalistas e críticos tem formações (graduações) em determinadas áres de conhecimento como ciências sociais e ciências políticas, e depois fazem cursos de comunicação para serem qualificados para o trabalho na imprensa - inclusive há bem pouco tempo a UFRJ lançou duas pós graduações de jornalimos direcionadas a pessoas com formações em ciências humanas. Vejo isso como uma maneira de melhorar inclusive o conteúdo que se oferece ao público. E se formos pensar nessa tendência do jornalismo segmentado, de nicho, pode ser uma evolução. O que me deixa receosa é pensar no que esperar em termos de mudanças educacionais - leia-se neste caso, graduação e pós-graduação - num país que não dá conta nem de oferecer educação básica à população. Vejo que essa questão do diploma é apenas a ponta de um grande iceberg, que começa na relação academia/mercado, para desombocar em fatores ainda mais profundos. A questão agora é tentar (sobre)viver todas estas mudanças na "velocidade da modernidade líquida", como diz o Marcos. Muitos pensamentos e dúvidas... mas a certeza de que largar o jornalismo por essa "frustração" com relação ao diploma não vale a pena!

Marcos Santuario disse...

Até aqui vocês fizeram ponderações lúcidas, inteligentes e muito bem expressadas.. dignas de jornalistas e de pessoas que estão em processo de "boa formação"... o que os veículos sempre vão precisar para qualificar seus "produtos"...

Juliane Soska disse...

o que me frustra mesmo é que muita gente agora possam pensar que a graduação não tem valor algum...pq gera diploma, mas ele "não serve" pra muita coisa.

quando ingressei na faculdade minha meta nunca foi o diploma, no sentido literal que ele tem, mas sim o conhecimento. diploma é resultado.
eu não saberia "fazer" jornalismo sem passar pela formação. e todas experiências que tive foram oportunizadas por estar na graduação.
tendo isso em conta, acredito mesmo que a graduação seja importante. pra alguém ela vai servir. serviu pra juliane soska pelo menos.